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Caldas da Rainha é uma Cidade Termal, fundada nos finais
do século XV pela Rainha D. Leonor, mulher do Rei D. João II,
centro de uma Região e sede de um concelho depositário de um
valioso património histórico-cultural. As suas termas de águas
sulfurosas são reputadas desde os tempos remotos, pois já os
Romanos as utilizavam como testemunham documentos arqueológicos.

Estátua da Rainha D. Leonor
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A história que se conta é esta: A Rainha D. Leonor viajava da
vila de Óbidos para a da Batalha quando viu, no meio dos campos,
um grupo de gente humilde que se banhava em água enlameada e
quente. Mandou parar o séquito e quis saber o que significava
aquilo. Eram tratamentos, disseram-lhe. Aquelas águas eram
prodigiosas: acalmavam dores, saravam feridas, contavam-se até
os casos de paralíticos que voltavam a andar como que por
milagre. A Rainha, que então padecia de uma úlcera no peito que
não havia maneira de fechar, quis fazer a experiência e viu que
tudo o que lhe tinham dito era verdade: viu-se curada em poucos
dias.
O episódio deve ter algum fundamento de verdade, pois todos o
contam da mesma forma. Nas datas é que há oscilação: para uns
1485, para outros 1487. A divergência não altera a história. D.
Leonor mandou logo levantar ali um grande padrão de alvenaria,
provavelmente para lhe não esquecer o lugar. Diz o inevitável
Pinho Leal que ainda viu restos desse primeiro e tosco
monumento. Logo no ano seguinte iniciou a construção de um
hospital para que todos ali se pudessem tratar com algum
conforto.

Hospital Termal: Neste local
foi crescendo
e prosperando uma cidade
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A povoação nasceu assim em torno do hospital. A terra ali não é
fértil (são areias de um solo só ganho ao mar mas em eras
geológicas quase nossas contemporâneas) mas o clima é de uma
grande doçura, sem neves nem calmas excessivas, e, sobretudo,
havia fartura de tudo: de legumes nas pequenas aldeias e
pequenos lugares das antigas granjas de Alcobaça, peixe fresco
trazido todos os dias pelos pescadores da Nazaré e Peniche,
galinhas, ovos e todos os mimos inventados pelos agricultores de
um amplo aro de aldeias. Em todo o caso, durante os séculos XVI
e XVII, a vila era Óbidos. Nas Caldas existia apenas um
arrabalde feliz.
A mudança vai começar com D. João V. Tinha os ossos enferrujados
e, com os anos, estava quase hemiplégico. Os médicos
recomendaram-lhe os banhos das Caldas e, segundo os
memorialistas locais, o Rei foi lá durante treze anos seguidos.
Inicialmente instalava-se em Óbidos e descia depois, de
carruagem, até ao local dos banhos. Acabou por concluir que era
mais confortável ter casa nas Caldas, e mandou ali construir um
pequeno palácio, que ainda hoje está de pé. Toda a corte o
acompanhou nessa decisão, e o pequeno lugar ganhou foros de vila
importante. É ainda D. João V quem manda construir a Casa da
Câmara e o Chafariz das Cinco Bicas, que assinalava o lugar onde
a Rainha D. Leonor vira os pobres banhar-se. O chafariz ainda
hoje existe, mas já não marca coisa nenhuma porque o mudaram de
sítio.
No século seguinte, o aumento e diversificação social da
afluência dos Banhos das Caldas, foram acompanhados de
significativas inovações. O Hospital foi integrado no património
do Estado, modernizou as suas instalações e equipamentos e
dotou-se de um conjunto de estruturas de apoio aos tempos livres
dos termalistas, entendidas como meios complementares da
terapêutica hidrológica. Estão neste caso o Parque, com o seu
lago e campos de jogos, o Clube, os novos pavilhões hospitalares
e balneário termal.

Zé Povinho - a criação
de Bordalo Pinheiro
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As Caldas da Rainha são também famosas pela sua cerâmica
utilitária e artística, conhecida desde os finais do século XV.
No século XIX a produção intensifica-se através da Fábrica Maria
dos Cacos, com peças de estilo naïf e cores intensas. Em 1853,
Manuel Gomes Mafra cria uma grande variedade de peças de barro
vidrado de gosto popular, com motivos animais e vegetais. Rafael
Bordalo Pinheiro funda, em 1884, a Fábrica de Faianças
Artísticas, reflectindo-se na produção das peças o espírito
criativo e caricaturista do autor, como o Zé Povinho, que se
tornou símbolo do povo português. Hoje, as fábricas continuam a
produzir esta louça tradicional, onde se acrescentam as
características cerâmicas de carácter erótico, conhecidas por
malandrices.
Em 1927 o crescimento da vila justifica a elevação a
cidade, que em 1984 ganha uma nova freguesia - Santo Onofre.
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