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O elemento aglutinador da
devoção popular ao apócrifo Santo Onofre, cuja imagem se
encontra na Quinta dos Pinheiros, levou à sua escolha para nome
da Freguesia. Também chamado de Santo Honofre e São
Onouphrius.
A vida de Santo Onofre só é
conhecida pelo que conta um de seus discípulos, São Paphnutius
(também conhecido por São Pafúncio), que o encontrou no deserto
no Egipto.
Onofre viveu no Egipto no final do século IV e início do século
V, tornou-se monge num mosteiro perto de Tebas, de onde saiu
para viver uma vida de eremita e contemplação.
Por 60 a 70 anos
Onofre viveu só no deserto e usava como vestimenta apenas o seu
cabelo e uma espécie de calças feitas de folhas. Não obstante,
foi um tema muito popular na arte medieval. É muito festejado em
Espanha e vários são os milagres a ele atribuídos.
Ele foi encontrado por um abade chamado Pafúncio. Habituado a
fazer visitas a alguns eremitas na região de Tebaida, este abade
empreendeu sua peregrinação a fim de descobrir se também seria
chamado a vivê-la.
Pafúncio perambulou no deserto durante vinte e um dias, quando
totalmente exausto e sem forças caiu ao chão. Neste instante viu
aparecer uma figura que o fez estremecer. Era um homem idoso, de cabelos e barbas que desciam até o chão,
recoberto de pêlos tal qual um animal, usando uma tanga de
folhas. Era comum os eremitas serem encontrados com este
aspecto, pois viviam sozinhos no isolamento do deserto.
Ao primeiro instante Pafúncio pôs-se a correr, assustado com
aquela figura. Porém minutos depois, essa figura o chamou
dizendo que nada temesse, pois também era um ser humano e servo
de Deus.
O abade retornou ao local e os dois passaram a conversar. Onofre
disse o seu nome e explicou a sua verdadeira
história. Havia sido monge de, mas se sentira chamado à
vida solitária. Resolveu seguir para o deserto e levar a vida de
eremita a exemplo de São João Batista e do profeta Elias,
vivendo apenas de ervas e do pouco alimento que encontrasse.
Onofre falou sobre a fome e sede que sentira e também sobre o
conforto que Deus lhe dera alimentando-o com os frutos de uma
tamareira que ficava próxima a gruta que era sua moradia. Em
seguida, conduziu Pafúncio a esta gruta, onde conversaram sobre
as coisas celestes até o pôr-do-sol, quando apareceu
repentinamente diante dos dois, um pouco de pão e água que os
revigorou (conta a lenda que foi um anjo que trouxe a comida de
ambos).
Pafúncio falou a ele sobre seu desejo de se tornar um eremita.
Mas, Onofre disse que não era essa a vontade de Deus, que o
tinha enviado para assistir a sua morte. Depois deveria retornar
e contar a todos sua vida e o que presenciara. Pafúncio ficou, e
assistiu quando um anjo deu a Eucaristia a Onofre antes da
morte, no dia 12 de Junho. Pafúncio enterrou-o na montanha e o
lugar imediatamente desapareceu.
Retornando à cidade escreveu o livro da vida de Santo Onofre,
que buscou de todas as maneiras os ensinamentos de Deus,
divulgando a história por toda a Ásia. Durante a Idade Média a
devoção a este Santo era muito grande no Oriente e passou para o
Ocidente no tempo das Cruzadas.
Na liturgia da Igreja Católica Santo Onofre é mostrado como um
velho eremita vestido apenas com um longo cabelo e uma folha
cobrindo sua cintura. Algumas vezes é representado com um anjo
trazendo o pão da Eucaristia com uma coroa a seus pés.
Santo Onofre é o padroeiro dos tecelões, talvez porque tecia sua
própria roupa com fios de plantas encontradas no deserto.
Santo Onofre é celebrado no dia 12 de Junho.
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